Por Liliana Cherfen*

Há tempos venho questionando alguns padrões da carreira executiva. Com o amontoado de afazeres e demandas diárias, nem sempre nos atentamos a pequenos detalhes que fazem toda a diferença no quesito desenvolvimento pessoal e profissional. Para evoluir integralmente, é preciso aceitar que temos nossas vulnerabilidades. Antes disso temos que conhecer essas limitações, e isso é feito a partir de autoanálise e de um processo neutro e corajoso de autoconhecimento.

Ao falar disso, coloco em destaque minha atuação de anos na área da saúde. O que essa reflexão e questionamentos me trouxeram de insights pensando neste mercado? As pessoas precisam relembrar que, antes de tudo, são pessoas trabalhando em prol de pessoas, de vidas. As vezes os cargos são colocados em tamanha evidência que mal dá para enxergar além do status. É preciso incorporar um perfil de liderança que reconhece as potencialidades de cada um, observa e sabe como lidar com a diversidade, principalmente nos ambientes em que a missão é o cuidado para com o outro.

A liderança requer a compreensão de que nem sempre será possível resolver tudo sozinha, mas saber utilizar o poder que tem nas mãos e tomar as melhores decisões, dentro do que é possível em cada situação. Tenho aprendido bastante com a leitura do best-seller “A Coragem de Liderar”, da incrível Brené Brown. A autora busca desmistificar as situações difíceis e desafiantes que enfrentamos, pois são nelas que alcançamos bons resultados. Mas porque as vulnerabilidades são tão importantes?

Ter humildade e segurança o suficiente para colocar à mostra as fraquezas, mesmo em posição de liderança, cria uma esfera de empatia e aproximação. As pessoas se conectam quando se reconhecem nas ações do outro, quando enxergam as mesmas emoções e lá se identificam. Algumas empresas do setor da saúde não compreenderam tal relevância, ainda seguem com modelos arcaicos e quadrados de gestão, influenciando em toda uma cadeia de processos e, novamente, de PESSOAS. Agregar ideias inovadoras e com visão compartilhada contribui para um ambiente mais motivador, com pessoas que sabem do seu papel e de sua importância.

O questionamento que fica é: estamos encorajados a demonstrar nossas fragilidades ao mundo? Meu conselho: liberte-se e aproveite o que há de bom.

*Liliana Cherfen: CEO da Sincron e presidente da FBAH

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